Com um C se vai, com outro C se volta

Há dois meses impusemo-nos um primeiro C, o C de confinamento. Ao nosso ritmo, e sem terem que andar atrás da maioria de nós, os portugueses deram uma enorme lição de consciência e ajudaram-se mutuamente a ficar em casa. Foram semanas agressivas para a nossa saúde mental, com um sem-número de soluções para todos os gostos (viva o Bruno Nogueira!), e o resultado está à vista: o nosso SNS e os seu heroicos profissionais deram conta do recado, sem nunca chegarmos ao limite do que é humanamente possível. Todos nós estamos de parabéns. Mas agora é tempo do segundo C.

Coragem. Ao Confinamento sucede a Coragem.

A Coragem para acreditar que conseguimos superar a crise económica.

A Coragem para olharmos de frente a crise social que aí vem.

A Coragem para percebermos que todos temos um papel ativo, seja nas nossas famílias, nos nossos contextos sociais ou nas nossas empresas, na recuperação do país.

A Coragem para implementarmos tudo o que aprendemos sobre o valor da vida humana, da ligação humana, da comunidade.

A Coragem para tomar decisões difíceis, para dar o litro nas empresas, para garantir o máximo de postos de trabalho. Mas também a coragem de cortar e salvar só o que é possível, se necessário assim for.

A Coragem de pensar fora da caixa, de sair da zona de conforto e de ver além do que se passa à frente dos nossos olhos. Mas também a coragem de aceitar a situação atual e construir a partir este ponto.

A Coragem de sair de casa, de gastar algum dinheiro, de fazer a nossa economia circular de novo. Mas também a coragem de evitar a corrida desenfreada do consumismo que não pudemos “ventilar” nestas semanas.

A Coragem de ir à rua sem medo, com determinação, fazer o que é necessário fazer. Mas também a coragem de sermos firmes e de nos protegermos sempre, a nós mesmos e aos outros.

A Coragem de ir ao teatro, ao cinema, à praia, ao parque, mas também de voltar para trás se já demasiadas pessoas por lá estiverem.

A Coragem de usar uma máscara sem vergonha, sem pudor, sem “macaquinhos na cabeça”, de ficar 1m atrás de quem está à nossa frente na fila do supermercado, de lavar as mãos sempre que possível, mas também de o exigir aos outros, sempre que eles precisem de alguém que os relembre.

A Coragem de abraçarmos os nossos com o olhar apenas, enquanto não for possível ir mais longe, mas também a Coragem de ir mais longe quando é ou for possível.

A Coragem de viver, de respirar, de apreciar cada minuto, mas também de nos entregarmos na reconstrução do nosso mundo.

Um amigo descendente de uma tribo de índios nativo-americanos disse-me uma vez que a Mãe Terra nos estava a dar uma oportunidade para nos curarmos… aproveitê-mo-la.

Coragem!

Coragem: com os nossos, na nossa empresa, na nossa comunidade, tenhamos coragem.

A vida continua, o nosso país continua, a nossa economia continua… e serão mais nossos que nunca!

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