O Super-Empresário!

As crises trazem à tona a verdadeira natureza de cada um, e este coronavírus fá-lo com uma mestria inigualável. Os desafios são muitos, diários e constantes, novos e inusitados, e isso potencia amiúde que o melhor/pior das empresas e dos seus líderes, gestores e/ou empresários. Há empresas que naturalmente estão a trabalhar a todo o vapor, porque os seus serviços e produtos são cruciais nos tempos que correm (algumas são minhas clientes!). Hoje, porém, quero falar dos SUPER-EMPRESÁRIOS, aqueles que têm não estão nessa categoria mas, ainda assim, têm a coragem e ousadia de enfrentar a crise com modos e posturas que me deixam verdadeiramente sorridente, de tão poderosos se tornam! Vamos a isso.

SUPER-EMPRESÁRIO de tipo 1: aquele que já percebeu que vai passar as “passas do Algarve”, que não tem liquidez, que tem um negócio que nada pode fazer neste contexto. Esse empresário olha para o futuro sem fazer a mínima ideia de como pode a empresa sobreviver, de como pode superar esta crise, e por isso toma corajosamente algumas decisões que são fortemente criticadas por todos. Para defender a empresa (e consequentemente o sustento de quem nela trabalha), decide suspender atividades, entrar em lay-off, vender ativos, reduzir custos, no limite até despedir para que reste algo no fim para os que fiquem. “Mas, Ricardo, isso nada tem de especial… porquê chamar-lhe SUPER-EMPRESÁRIO?!”… porque o faz olhos nos olhos, com ética e verdade, falando clarae abertamente aos seus e dando cada passo com o máximo de transparência. Muitos empresários e empresas sairão derrotados (ou até falidos) desta crise, mas tal acontecerá de pé, grandes modelos e exemplos de como a relação empresarial deve ser séria e vertical, de como até na derrota podemos ser exemplo e modelo, podemos liderar e inspirar outros.

SUPER-EMPRESÁRIOS de tipo 2: aqueles que deitaram mãos à obra, cientes de que conseguem ajustar a empresa, as linhas de montagem, os processos e equipas à produção de tudo o que faz falta nesta altura. Eles não esperam que o governo os requisite, não adiam a ver se as coisas acalmam: eles arregaçam as mangas antes de todos e, bata a bata, máscara a máscara, ou viseira, ou frasco de desinfetante, atiram-se ao que é necessário fazer. Vai ser pago? Será pro bono? Em muito casos nem sabem. O que sabem é que querem e podem ser motores reais, sabem que cada peça que produzem pode salvar vidas, e escolhem essa atitude por si, independentemente das convenções ou obrigações sociais… No caminho acabam a arrastar a sua equipa, de gente simples ou complexa, com doutoramentos ou quarta classe, que, inspirada, segue a liderança firme de quem escolhe fazer a diferença.

SUPER-EMPRESÁRIO de tipo 3: aquele que nada pode produzir e nada tem que fazer, mas que, fruto da gestão equilibrada que realiza (incluindo perceber que não deve açambarcar os lucros só para si), percebe o papel social da sua empresa e, sem rodeios, se atreve a gestos (aparentemente) simples, mas que fazem toda a diferença: ele alarga prazos de pagamento a clientes; antecipa pagamentos a fornecedores; paga salários completos, com ou sem lay-off, até a quem está infetado com o vírus (porque não basta estar infetado e em risco de morrer, ainda se recebe pouco mais de metade do salário, via baixa, da Segurança Social); ele contrata, neste contexto!; paga os bónus do ano anterior; absorve trabalhadores de empresas ou entidades parceiras, ou de relevância no seu contexto geográfico… Podia continuar, mas creio que já perceberam.

Aqui fica minha homenagem a todos quantos, porque estão a trabalhar no seu negócio de sempre, ou porque decidiram contribuir de outra forma, nos inspiram a todos a sermos melhores, a sermos a melhor versão de nós mesmos no meio desta tempestade.

A todos vocês o meu (o nosso, atrevo-me!) MUITO OBRIGADO!!!

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