O tsunami está a caminho!!!

Passei a semana a visitar escolas, partilhando com mais de
800 jovens o meu livro, as minhas aventuras e, fundamentalmente, as minhas
aprendizagens. Foram quatro dias de intenso trabalho e desgaste, que alguns me
perguntam se vale a pena, se não era preferível concentrar-me apenas no mundo
dos adultos e das empresas… “é tão mais rentável!…”, dizem. Até pode ser,
mas eu acredito que há algo que lhes está a escapar, que há algo que está a
escapar à sociedade portuguesa em geral, e a muitas empresas também. Porque
muitos me dizem que apoiar os jovens não é de todo uma missão das empresas, que
isso nada contribui para a sua atividade, que só fará sentido se isso lhes
possibilitar encontrar talento no curto prazo… Permitam-me discordar, e
acompanhem-me no meu raciocínio sobre isto, até porque a maioria das empresas
ainda não viu o “tsunami” que aí vem!

Foram cinco anos, CINCO! Cinco anos a fazer workshops em escolas de norte a sul do país, ilhas incluídas.
Estivemos em escolas secundárias citadinas e cosmopolitas, e em escolas básicas
“atrás do Sol posto”, com alunos do mais erudito e do mais simples e humilde
que possam imaginar. Visitámos escolas privadas de elite e do regime
cooperativo; escolas públicas “novas em folha” ou a “cair de velhas”; escolas
profissionais com oficinas topo de gama e escolas profissionais que lutam em
vãos de escada para ajudar os seus alunos a terem um futuro. Em todas elas
encontramos um cenário semelhante: há alunos muito bons, claramente focados e
com uma forte orientação para o sucesso, mas são uma minoria. A verdade é que
há uma maioria de adolescentes e jovens fantásticos, sim, mas meio que perdidos,
que não sabem o que querem, que não conseguem gerir as suas emoções, com
dificuldade em definir metas e estabelecer planos, que em muitos casos vivem
“encerrados” no universo digital, quase dependentes, com a percepção errada de
que o que fazem não tem consequências, não importa para nada e não tem qualquer
relação com a sua vida “real”. E, como disse, não se trata de uma realidade
encerrada numa zona geográfica, extrato social ou nível de ensino específicos:
é uma realidade claramente transversal. E o mais assustador, a meu ver, é que não
vale a pena pensarmos que é a escola, o sistema e/ou o ministério que têm a
obrigação de resolver isto, porque enquanto resolvem e não resolvem corremos o
risco de perder uma geração inteira (a máquina é gigante, pesada e muito lenta,
por muito bons professores que existam!).

“O que é que as empresas têm a ver com isto?!”, perguntarão
vocês. É simples: as empresas queixam-se HOJE que têm dificuldade em contratar,
em encontrar jovens com vontade de trabalhar, de lutar por algo, que tenham as
ideias no lugar. Reconhecem-lhes a enorme proximidade com o futuro digital, mas
isso não basta, já que as competências pessoais, comunicacionais e até técnicas
escasseiam, em muitos casos. É, já hoje, um problema!… Mas o que está a
escapar a todos, parece-me, é que as dificuldades que sentem hoje são “peanuts”,
são só a ponta do icebergue… NÃO IMAGINAM O DRAMA QUE VAI SER DAQUI A 10/15
ANOS!

Convido-vos a fazer um périplo pelas escolas, a ouvir os
pais, os professores, os próprios alunos, e perceberão quão gigante vai ser o “tsunami”…
é aterrador! E não, não venham culpar os adolescentes, porque a
responsabilidade de os ajudar a desenvolverem-se de forma positiva é nossa: das
famílias, das escolas e da sociedade em geral. Ninguém nasce ensinado!!!

É aqui que as empresas entram: as empresas são a única “unidade
social” que gera valor e recursos quotidianamente e que pode alavancar, de
forma ágil, rápida e eficaz, as soluções que já existem (e outras novas e
inovadoras) para este problema social. Sejam os nossos programas, sejam os
programas de outras pessoas e/ou entidades, há uma série de iniciativas em
Portugal, um pouco por todo o país, que podem ser uma parte significativas da
solução imediata para o problema. Só que as empresas só serão parte ativa neste
processo se tiverem consciência do problema, se perceberem que as vai afetar (e
muito!) e se tiverem a coragem de olhar para o seu papel na sociedade de forma
inovadora, se perceberem quão crucial é o investimento social. É por isso que
escrevo este texto.

Eu passo uma parte do meu tempo a trabalhar pelos jovens:
acredito que eu e a minha equipa temos algo a fazer por eles.

É para isso que surge a associação ACONTECE, para colocarmos
ao serviço dos jovens as nossas competências de desenvolvimento pessoal.

É por isso que a nós se juntam empresas e entidades que têm
a coragem de olhar o desafio de frente, que querem deixar a sua marca muito
para além dos seus negócios: querem deixar um legado!

Uma coisa é certa: de uma forma ou de outra, o “tsunami” vem
aí.

Cabe a cada um de nós decidir qual será o nosso papel na
prevenção e/ou resolução das “ondas de choque” que nos vão atingir nos próximos
anos.

Eu já escolhi o meu lado… e vocês?

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